Teatro do absurdo
ELIANE CANTANHÊDE

BRASÍLIA - Já não se fazem mais Supremos Tribunais Federais como antigamente. Hoje, ministros trocam e-mails durante sessões históricas, tratam os colegas por apelidos jocosos, são suspeitos de acertar voto e, alguns, de delegar seus votos para assessores.
O novo lance, flagrado pela repórter Vera Magalhães, foi o telefonema do novato Ricardo Lewandowski (da leva Lula) em que ele acusa os ministros de não "amaciar para o Dirceu" porque votaram "com a faca no pescoço", "acuados pela imprensa". Os louros pela decisão histórica duraram dois dias e foram triturados em dez minutos.
Os ministros se sentiram atingidos e reagiram mal, evidentemente, exigindo uma manifestação enérgica da presidente do Supremo, Ellen Gracie, que só no meio da tarde soltou uma nota tão formal quanto ela própria.
Quem se deu bem foi Dirceu, que -com toda a razão, diga-se de passagem- agora quer melar o julgamento e, brandindo a Folha, encenou uma inversão de papéis: em vez de réu por corrupção ativa e formação de quadrilha, ele se colocou como vítima num "teatro do absurdo".
A adaptação rápida do roteiro dificilmente vai colar, pois o único voto a favor de Dirceu foi justamente de Lewandowski. Mas dá força para Dirceu exercitar sua forte liderança sobre os setores do PT que não aceitam fatos e insistem na tese da "conspiração da mídia".
Se há conspiração, não é só da mídia. Senão, vejamos: começou com Roberto Jefferson, aliado de Dirceu, ficou sob a mira da imprensa, passou para as CPIs, foi ratificada pelo procurador-geral da República, admitida pelo ministro Joaquim Barbosa (da "elite branca e rica"?) e afinal votada em bloco pelo Supremo. Haja conspiração! Lewandowski lançou suspeição sobre o Supremo. Se o ministro Eros Grau ("Cupido") cumprir a ameaça de processá-lo, ele pode vir a se juntar a Dirceu -como réu.


elianec@uol.com.br
MENSALÃO CHEGA AO PLANALTO!!!

29/08/2007
Aliado político do presidente brasileiro enfrenta julgamento por corrupção
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Alexei Barrionuevo
No Rio de Janeiro


Um escândalo de corrupção que paira como uma nuvem negra sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva há dois anos intensificou-se nesta semana depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil decidiu em votação submeter o ex-ministro-chefe da Casa Civil a julgamento devido a acusações de corrupção.

Os ministros do STF votaram unanimemente na última segunda-feira a favor de transformar em réu José Dirceu de Oliveira e Silva, o mais próximo aliado do presidente a ser julgado no esquema que envolvia a compra de votos. Depois disso, na terça-feira (28/08), os ministros decidiram por nove votos favoráveis e um contra aceitar a acusação de que ele seria o "líder da organização criminosa".

Dirceu, que muitos consideram o arquiteto da ascensão de Lula ao poder, renunciou ao gabinete em junho de 2005, após ter sido acusado de liderar um esquema para pagar membros do Congresso a fim de que estes apoiassem o Partido dos Trabalhadores.

MENSALÃO NA MÍDIA
aio Guatelli/Folha Imagem -30.nov.2006
José Dirceu mostra foto sua ao lado do presidente Lula
FINANCIAL TIMES
EL PAÍS
Os ministros também decidiram na segunda-feira submeter Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do partido de Lula, a julgamento devido às denúncias de corrupção. Cada um dos réus poderá ser condenado a até 12 anos de prisão caso for considerado culpado.

Esta foi a primeira vez em que o Supremo Tribunal brasileiro votou favoravelmente à imposição de penas criminais contra autoridades políticas de alto escalão. "Não há dúvida de que este é um momento histórico para o tribunal", afirmou Lúcia Hippolito, analista e professora de ciências políticas que mora no Rio de Janeiro. "Os dias de impunidade para os privilegiados parecem ter acabado".

No Brasil poucos políticos acusados de corrupção vão de fato para a cadeia. O Supremo Tribunal se recusou anteriormente a acusar criminalmente o presidente Fernando Collor de Mello, depois que este renunciou ao cargo em meio a um processo de impeachment em 1992. Segundo foi revelado à época, Collor operava um caixa dois secreto multimilionário.

Lula, um ex-líder sindical, se distanciou do escândalo em 2005, e foi reeleito um ano depois, ainda que políticos da direita e da esquerda tivessem descartado a sua possibilidade de vitória.

Os ministros ainda estavam decidindo na terça-feira que acusações exatamente serão feitas em julgamento contra os dois homens e os outros 38 indivíduos que foram considerados réus no esquema de corrupção, mas eles informaram que dentre as acusações consideradas estão as de apropriação indevida de verbas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e fraude. Embora o partido de Lula tenha admitido o uso de verbas ilícitas para o financiamento das campanhas eleitorais dos seus membros e dos aliados no congresso entre 2002 e 2004, o Partido dos Trabalhadores negou que o dinheiro tenha sido utilizado para o pagamento de propinas a parlamentares.

O atual escândalo estourou em maio de 2005, quando um funcionário graduado dos Correios foi flagrado em uma gravação em vídeo pedindo propina a uma potencial empreiteira em nome de um dos importantes aliados políticos de Lula. O funcionário alegou que outros nomeados políticos que ocupavam cargos em agências estatais estavam envolvidos em esquemas similares para beneficiar os partidos aliados de Lula.

O presidente conseguiu evitar danos políticos resultantes do escândalo de corrupção, bem como das acusações de outras aparentes demonstrações de incompetência. No mês passado, um acidente aeronáutico em São Paulo que matou 199 pessoas revelou a vasta gama de problemas que aflige o sistema de aviação do país. Vários políticos e analistas afirmaram que o presidente não tomou providências suficientes após um outro acidente mortífero ocorrido apenas dez meses antes.

Mas o elevado índice de aprovação de Lula continua praticamente não sendo afetado. Hippolito disse acreditar que as acusações feitas nesta semana poderão prejudicar o presidente porque elas trazem o escândalo para a porta de Lula.
FUGINDO PELA TANGENTE!!!!
CONGRESSO

Collor tira licença do Senado e evita o julgamento de Renan

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O senador Fernando Collor (PTB-AL) não deve votar no processo de cassação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele vai tirar uma licença de quatro meses a partir da próxima semana. Renan foi líder do governo Collor na Câmara e primeiro político a romper com o então presidente da República durante o processo de impeachment.
A justificativa de Collor é que, nesse período, o Senado não vai discutir nem votar os temas de seu interesse, que são reforma política e ambiente, então ele aproveitará para atender convites para fazer palestras. O senador, que não receberá salário enquanto estiver de licença, disse que também se dedicará à organização do PTB em Alagoas para a eleição 2008.
Tanto Collor quanto Renan afirmam que superaram as divergências do passado, mas o ex-presidente da República não tem sido visto na Casa desde que as denúncias contra o presidente do Senado vieram à tona.
Nos quatro meses o mandato de Collor será assumido por seu primo e suplente Euclides Mello (PTB-AL). Essa também é uma forma de dar visibilidade a Euclides, que será candidato a prefeito de Marechal Deodoro (AL).
Collor voltou à vida pública neste ano, 14 anos depois de ser afastado da presidência da República acusado de corrupção. Seu primeiro ato no Senado foi utilizar a tribuna para dar sua versão do processo de impeachment.
Ele aderiu à base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se aliando ao PT, que foi o principal artífice de sua saída da Presidência.

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